Coisinhas da treta




A escassos dias de fazer quarenta primaveras, voltam as tormentas de sempre. Voltam os medos das diferentes solidões. Voltam os receios do amanhã. Voltam todas as dúvidas do passado, que se projectam no presente e futuro, ainda com mais força. Não estou sozinho, mas estou registado como solteiro no registo civil. Não tenho filhos, porque se há dias que gostaria de ser pai, noutros nem por isso, e já se sabe que neste ponto não pode haver dúvidas, nem funções em “part-time”. Não consigo ter uma família de sangue, a minha e não só, reunida à volta de uma mesa, porque os meus ainda vivem no século XIX, e porque na prática nunca tive isso. Portanto, planeando e desenhando cenários a dez, vinte anos, torna-se bastante penoso, porque se sofre por antecipação. Tipo, aos oitenta anos, estarei sozinho? Estarei a sofrer, sem ninguém para me dar a mão?  Abandonado e infeliz?

Ser um homem que se sente atraído por homens, aos quarenta, não é a mesma coisa que aos vinte, onde pensamos que temos a vida toda pela frente. Onde elaboramos planos espectaculares a longo prazo, porque ainda temos muito tempo para isso. Queremos diversão. Queremos poucas responsabilidades sentimentais, porque temos muito para descobrir. Isto é, se o desbravamento começar por essa altura. Se forem como eu, que só militei afincadamente a partir dos meus vinte e oito anos, é fácil perceber que doze anos é um período muito curto. É quase nada, perante a imensidão da vida. Na prática, fui adolescente quase trintão. E o que fiz até lá? Tentei enquadrar-me na sociedade, estudei, tentei passar despercebido, procurei ter amigos e refugiei-me no meu quarto, com medo de ser diferente, porque não sabia muito bem como reagir. Como agir. Como ser.

Sinto que perdi muito tempo. Demasiado. Não é que aos vinte, ou vinte e dois anos, não explorasse o mIRC ou a Teletexto RTP, em busca de pessoas que pensassem como eu, mas o medo de conhecer “ao vivo” paralisava a conversa quando se tentava avançar para esse estado. Formalizar um conhecimento virtual, era assumir aquilo que eu não queria. Aquilo que eu não sabia ainda muito bem o que era. E sendo “menino de aldeia”, o pensamento ainda estava muito pouco desenvolvido nesse campo. O receio daquilo que os vizinhos, a família alargada e os amigos de infância pudessem pensar, era mais forte que uma qualquer felicidade individual. É claro que hoje, tudo é mais fácil. A sociedade, mal ou bem, é mais aberta. Mais disponível. Mais acolhedora. Existem formas maiores de comunicação, que permitem até que os mais tímidos, consigam encontrar um caminho. Existem mais bares para encontros casuais, e existem mais grupos de amigos que assumem a parte chata das apresentações. Existe uma panóplia de circunstâncias, que acabam por tornar tudo mais “natural”. Mais diluído na homofobia existente, que se confronta ainda com a sociedade portuguesa de cariz machista.  

Não quero com isto, estar aqui com uma ladainha piedosa, para causar nos outros uma qualquer espécie de empatia. Não. Longe disso. Apenas realizo um exercício muito pessoal, acompanhado. Tento ainda perceber, se a velhice para os homens que se sentem atraídos por homens, não será mais cruel que as outras. Mais solitária. Mais exigente na criação de laços afectivos duradouros, sabendo, porém, que o homem vê tudo de uma forma mais física que a mulher.  Mais carnal. Mais descartável. Mais desprendida de sentimentos. E não, não acho que seja preconceito. Considero que é mesmo assim, embora reconheça excepções. Mas se me perguntarem se gostaria de voltar atrás no tempo, para tentar fazer as coisas de outra forma, ou se gostaria de voltar a ter vinte anos, respondo que não. Apenas respondo que queria ter apenas mais tempo para explorar a vida.  

Conselhos do Lobo


Deverá respeitar-se sempre a Autoridade, até porque nunca se sabe o que pode acontecer. No limite podem-nos algemar... ou dar-nos com o cassetete. 

Apresentando: Rick n Griff



Hoje em dia, nas diversas redes sociais, podemos encontrar de tudo um pouco. Mas quero apenas agora que nos foquemos nas parelhas, ou seja, nos casais. Temos aqueles que vivem da fofice, os que respiram normalidade e aqueles que não têm preconceitos. Depois temos o Rick e o Griff, que partilham aquilo que querem, nomeadamente o seu problema em usar roupa. Como eles escrevem: “aproveitem a aventura e a fantasia, e não levem tudo demasiado a sério”. Ou qualquer coisa deste género.

Portanto, ao percorrer o seu Instagram, podemos ver a fotografia original que encabeça esta mensagem, podemos ver os registos da moda (onde vestidos, se nota tudo e mais alguma coisa), podemos ver como eles têm muitos amigos, que adoram actividades ar ao livre e também jogar consola, ou apenas que são muito caseiros e gostam de ficar na cama na ronha. No fundo, como muitos de nós. Ou talvez não. 

Sentimentos para hoje: Melancolia




Estava a reformular o Instagram do blogue antigo para este novo projecto (tipo um “Querido Mudei o Blogue”, mas sem o tótó do Gustavo) e vi que tinha mensagens pendentes (yah, de anos… não me batam mais se faz favor). Resolvi responder. A meio da conversa saiu um #obrigadocovid e soltei uma gargalhada. Bom, não sei se voltei por causa disso, ou por estar mais tempo em casa, ou porque me fui transformando durante estes anos em que estive afastado dos blogues “mais temáticos”, ou simplesmente porque precisava de partilhar estórias. Acho que o principal a reter aqui, é que voltei. Mais disponível. Mais motivado. Mais experiente. Mais capaz. Com mais vontade de continuar a alterar tudo aquilo que faz sentido. Quero valorizar o que negligenciei. Quero gritar quando não gosto. Quero sorrir quando me apetecer. E quero continuar a fazer a minha cara de frete, quando estou a ser obrigado a fazer uma coisa que não quero. Bem sei que não há mundos e pessoas perfeitos/as, e teremos sempre imensos defeitos para minimizar/remover (ainda hoje um amigo meu me disse que eu não tinha paciência para nada), mas acho que isso faz parte. Caso contrário que sentido teria a vida? Aquela vil existência, que nos leva as pessoas de quem gostamos, sem que tenhamos tido a oportunidade de nos despedirmos delas? Quero pensar que tudo no fim terá um qualquer sentido. Terá um desígnio que surgirá nos instantes anteriores, ao nosso desaparecimento deste mundo e do nosso último suspiro, relevador de dever cumprido.

Conselhos do Lobo




Nunca percam a vossa inocência de criança e continuem a assistir a séries de super-heróis.

Nota: Na imagem, Chace Crawford, que interpreta a personagem “The Deep” na série “The Boys” que se encontra disponível na Amazon Prime. Ahhhhh e fechem os olhos nas cenas de sexo e de nudez “sêfaxavô”.

Publicidade: A Nossa Voz


Há publicidades que NOS fazem felizes!

Apresentando: Steps of 2 Foreigners


Já seguia o Bernardo no Instagram faz algum tempo (e nham nham!), e depois comecei a seguir o namorado, o Adam. Se o primeiro é brasileiro, o segundo é norte-americano, e juntos são os "Steps of 2 Foreigners". E podemos encontrá-los no seu canal de YouTube e no Instagram por esse nome. E se forem preguiçosos como eu para ir à procura, deixo-vos as ligações na segunda parte da publicação. 

Televisão: Too Hot to Handle



Ontem despertei e fiquei sem sono. O que me lembrei? Ir passear até à Netflix. Resultado? Asneira. Deitei-me super tarde, dormi pouco e fiquei viciado num reality show de pseudo-engate (o que vale é que só tem 8 episódios). Já fazia muito tempo que não via nada assim de trash TV, mas ontem não me apetecia pensar muito (uma amiga minha ligou-me a chorar, a contar da morte repentina de um familiar e já não consegui desligar o cérebro a pensar em coisas). 

Como estava no top 10 de produtos televisivos em Portugal, distribuídos por aquela plataforma, resolvi assistir ao "Too Hot to Handle". Basicamente, os participantes foram para um destino paradisíaco e pensavam que era farra o dia todo e "pinar" como se não houvesse amanhã. Mas o conceito, é precisamente o oposto. O sexo está interdito. Não se pode beijar, nem sequer ter qualquer tipo de interacção sexual, estando ainda proibida a masturbação... como medida extrema de acalmar a "coisa". Cada falta tem uma penalidade. Por exemplo, um beijo, tem um custo de 3000 dólares, que vai sendo debitado ao prémio inicial de 100 mil dólares. É claro que objectivo inicial foi-se logo nos primeiros episódios. 

É uma experiência social que vive muito da heterossexualidade, exceptuando o facto de existir uma concorrente bissexual. Mas pensei logo: mais uma vez se coloca em evidência os fetiches dos "machos". E porque não um homem bissexual também? E porquê continuar a insistir na ideia que uma mulher com muitos parceiros é isto-e-aquilo, mas se for um homem é um garanhão? Estão ali patentes todos os pré(conceitos) existentes e as ideias pré(concebidas) da sociedade machista. Mas tirando isso, até achei a ideia interessante, de se colocar em primeiro plano a parte sentimental, e relevar a parte física para um papel secundário.   

E como nestas coisas, ganhamos ódios e geramos favoritismos, tenho a confessar que o meu concorrente predilecto é o David. Tem um corpo espectacular, é certo, mas é super fofinho e é capaz de prescindir das suas necessidades, em prol dos outros. Quase que me apaixonei.

Vinte e Cinco de Abril



Parece cliché, mas não deixa de ser verdade. Vinte e Cinco de Abril #sempre. Pela liberdade colectiva e individual. De expressão. De ter uma opinião. De ter uma sexualidade diferente. De amar quem quiser. De querer caminhar pelo próprio pé. De querer tudo, e não estar condicionado pelo berço. De querer mudar o mundo, e não ter medo de o dizer. De escrever parvoíces nas redes sociais, mesmo quando não temos razão nos argumentos utilizados. De querer largar o presente e abraçar o futuro, sem problemas de consciência. De ter direito ao saber e ao conhecimento, e ter o dever de esclarecer os outros. Todos. De querer ser feliz, e não ter vergonha disso. 

Casamentos: Jeb + Adrian



Há quem tenha sonhado uma vida inteira com um casamento, há quem nem sequer pense nisso (e fuja, como o Diabo da cruz). Pessoalmente, acho fofinho. Mas com os outros. Ainda assim, gosto de me perder a ver casamentos alheios, e afogar-me nos detalhes. Por isso, neste novo espaço, não podia faltar algo antigo (até porque já tenho algo azul). Posto isto, reinaugura-se a rubrica casamentos!  

Adrian Galarza e Jeb Howell quiseram um casamento que reflectisse a sua personalidade. Queriam algo sofisticado e clássico. Industrial. Com as cores preto e dourado.   


Conselhos do Lobo




Parece-me, considerando a questão do COVID-19, e do acesso às praias este verão em Portugal, que os solteiros deste país devem arranjar um namorado que seja nadador-salvador. Só assim terão uma vantagem no acesso ao areal.

Nota: a imagem é meramente ilustrativa. Só para não começarem a ficar com ideias. 

Notícias (a)Variadas - Reynaldo Gianecchini

Bom, bom, bom... Andava meio mundo gay a suspirar pelo senhor Reynaldo faz anos (e parte do universo hétero também, verdade seja dita), quando em Setembro do ano passado (onde é que eu andava nesta altura?), numa entrevista ao jornal "O Globo", o mesmo assume: "já tive, sim, romances com homens". 

De lá para cá, um turbilhão de reacções, acções, críticas e elogios, têm sido produzidos diariamente, numa velocidade estonteante.Tanto que é, que Gianicchini teve que vir a terreiro esclarecer realmente o que quis dizer. E o que afirmou? Bem, assumiu que não era gay. Que era tudo. Que era "amplo" e que cabia nele "o homem, a mulher, o gay, o hétero, o bissexual, a criança e o velho". Só espero que a parte a criança seja no sentido figurado. Ou então, que tenha mais de 18 anos.  

Verdade seja dita... uma pessoa aos 47 anos também já pode dizer e assumir o que quiser, porque ninguém tem nada a ver com isso. Mas que foi importante o seu testemunho, foi. Pelo menos eu acho que foi. Ele é uma figura respeitada e muito conhecida, e pode ajudar a desmitificar algumas coisas, que algumas "pessoínhas" teimam ainda a não querer ver. 


Não partilho reportagem porque é exclusiva para assinantes do jornal "O Globo", mas deixo ficar aqui, a reacção posterior numa matéria produzida pela "Folha de São Paulo"

Palavra do Instagram aos Romanos


Parece mentira, mas é verdade. Há pessoas que levam muito a sério o Instagram e acham que são famosos se tiverem alguns seguidores. Mas trago aqui uma novidade: caríssimos...  isso não é assim tão linear. E não é por ter 1000 fãs, e um perfil a terminar com "oficial", que fará de qualquer um... uma celebridade. A vida não se esgota nas redes sociais, e prova disso mesmo, é a situação que actualmente vivemos devido ao COVID-19. Agora é tempo de percebermos onde está realmente a diferença e dar valor àquilo que importa. Àquilo que nos preenche e faz feliz. É claro, que muitos miúdos hoje em dia querem ser "influenciadores", e já deixaram de lado, faz algum tempo, a ideia do astronauta, do médico ou do polícia, mas isto só demonstra o quão errado isto é. O quão estranha a sociedade está a ficar. 

Também não vivo alheado do mundo. Sei que há pessoas que vivem exclusivamente do Instagram, do Facebook e Blogues, mas é uma escassa minoria, e fazem-no, porque se transformaram em "profissionais". Assumiram a produção de conteúdos como uma finalidade para um fim, e deixaram, de ter alguma verdade naquilo que partilham. Para mim, as redes sociais são um complemento. Um acessório para o essencial. Uma ferramenta para ser ouvido anonimamente e não um guião para viver o que quer que seja.  

Notícias (a)Variadas - Sandro Rosell


Disse o antigo presidente do Futbol Club Barcelona (na imagem acima), numa entrevista a um jornal espanhol, que quando esteve na prisão (por alegadamente ter ocultado em "offshores" 20 milhões de euros - coisa pouca...) lhe deram "quatro preservativos e quatro saquetas de vaselina" 

Tipo... não é demasiada informação? Daqui a nada ainda vai dizer, que preferia o Zé Pequeno ao Zé Matulão. 


Toda a notícia aqui.  

Coisinhas: Aussiebum



Se agirem de forma previdente como eu, já devem ter começado a comprar os fatos de banho para 2020. Quer dizer, já tinha comprado alguns "modelitos" para a praia este ano (como por exemplo: dessa série da Aussiebum, que a imagem tão bem ilustra), e de repente, vem uma "corona chinesa" (como se já não bastasse a outra, do "ritmo da noite") para me arrumar o verão. As férias. O descanso. O dolce faire niente

Caramba, anda uma pessoa o ano inteiro a salivar pelas férias, para agora tudo ficar trocado, passando a ser nossa principal preocupação ter/arranjar um trabalho decente. Sim, não se adivinham dias fáceis e as prioridades alteraram-se. Agora, ao invés de roupa para o verão, há que pensar em máscaras, álcool, gel e protocolos de segurança. Também da forma que ando a comer porcaria (e a não fazer exercício físico há dois meses), é bom que a Aussiebum comece a vender "burkas". Vou ali passar o meu verão para 2021 e já volto. Bom, seja como for, já tenho fatos de banho para 2021. Yupi. Que emoção. Quase que me trinco todo. #not

Televisão: Séries Espanholas


Estou super viciado em séries espanholas (já estava na verdade, desde que assisti em 2018, à “Embaixada” e “Todos Suspeitos”, nos domingos à noite na Sic Radical) e recomendo. A qualidade destas produções é gigante, e prova disso mesmo, é a oferta que podemos encontrar em plataformas de streaming, como por exemplo a Netflix. Enquanto os portugueses se especializaram em novelas, intermináveis e com histórias “pastilha elástica”, “nuestros hermanos” estão no topo mundial em séries. De intriga, policial e de mistério.

Uma das coisas que me atraí nestes produtos espanhóis, é o facto da sua preocupação em inserir sempre personagens LGBTI+. Não que isso seja fundamental, ou obrigatório, mas revela um cuidado suplementar em mostrar diversidade, sem medos de julgamentos de terceiros. As personagens LGBTI+ nem sempre são boazinhas ou más, simples ou complexas. Há de tudo um pouco, passando pela loucura, até à procura do romance tradcicional (do príncipe encantado e tal). A tónica é sempre da normalidade, e não há coibição do beijo na boca, do sexo, do carinho em público ou do assumir que se gosta. Na rua. No trabalho. Ou na escola. E mesmo com estas condicionantes todas… pasmem-se! Estas séries têm audiência! De milhões e a nível global.  

Nesta quarentena, que mais se assemelha a uma prisão domiciliária, vi de uma assentada a série “Elite”, que gostei muito, e cujo o enredo do núcleo gay, mexeu comigo. Fiquei balançado, porque me revi nalgumas coisas, e em situações que queria ter vivido, ou resolvido, e que ainda não tive oportunidade. Ou coragem. Ou vontade. O certo, é que as coisas hoje parecem muito mais fáceis do que em 1996 ou 2001, onde comecei a descobrir-me, escondido, no velhinho mIRC.

E para não perder o embalo, ontem, comecei a assistir “Toy Boy”. E recomendo. Não só pelos motivos óbvios…, mas porque a história está bem contada. E sim. Tem um núcleo gay também.

Apresentando: Enrique Alex

Na prática, não estou a apresentar nada, porque não é necessária essa minha acção, e ninguém tem culpa do meu desconhecimento sobre as coisas. Portanto, coloquemos de parte desde já, a minha presunção, e partamos logo para o que interessa. 

(mais) Sentimentos para hoje: Impaciência

Luto, todos os dias para não ser impaciente. Mentira. Luto quase há 40 anos para ter um pouco mais de calma, mas acho que sou um fraco, porque não consigo vencer este defeito. Esta condição que me atrapalha a vida, onde corro atrás das palavras quando estas, por magia, saem da minha boca. Portanto, não é de estranhar, que o arrependimento ande de mãos dadas com a minha falta de paciência. Pela minha inconsistência psicológica, que me faz ter o coração nas mãos. Que me faz perder o discernimento quando me sinto atacado de alguma forma. É claro que já tentei um pouco de tudo, desde contar até 10, passando pela respiração controlada, até à famosa voltinha ao quarteirão, mas estas estratégias, ao invés de me ajudarem, parece que ainda fazem crescer mais em mim, tudo aquilo que não quero dizer e fazer. Parece que fico ainda mais descontrolado e pronto a explodir assim que volto a ser confrontado com as situações. Sou um fraco, bem sei. E também sei que isto me leva a conflitos muitas vezes desnecessários... mas e se for algo que nunca conseguirei mudar? Uma cruz que terei de carregar para sempre? 


Bom, e posto este exercício, carreguei no enviar do telemóvel, uma mensagem que apenas dizia: 

"Não me chateies. E vai para o car#lho". 

Sentimentos para hoje: Estranheza

Um gajo afasta-se uns dias'zitos (anos vá, mas não me batam mais!) da blogosfera, da blogaysfera e da blgbtimaisfera, e parece que está perdido. Parece que acordou de um sono profundo, uns anos mais à frente (2062, quiçá), onde tudo está diferente. Mudado, assim, para o parado. Para um deserto estranho, onde os lugares que conhecia, ou estão quase fechados, ou fechados. As dinâmicas que outrora existiram, estão quebradas, e apenas encontramos os resistentes. O Mark, O Francisco, o Silvestre e a Dezanove. 

Se esta é a sensação de acordar anos depois do seu tempo, apenas posso dizer que é estranha. Esquisita. Esquisitinha, vá. Diferente de tudo o que já se viveu. Bem sei que o mundo muda. Nós mudamos. Tudo muda. Mas nunca estamos preparados para um regresso a situações, em que já não estávamos faz tempo, porque agora não nos sabemos como comportar. Agir. Falar. Comentar. Entramos em pézinhos de lã, porque agora não sabemos quem é que estará disponível para estar presente, fazer-se presente e para comungar de uma visão comum. 

Agora tudo é novo, mesmo sendo velho. Tudo é uma descoberta virginal, mesmo não havendo nada recente para perder. Tudo é tacteado a medo, mesmo que tenhamos uma pele enrugada. Tudo nos exige paciência, mesmo que a idade nos tenha trazido uma falta de compaixão. Tudo nos deixa saudades, mesmo que não exista forma de recuperar o que já passou. Tudo é como é, mesmo que os nossos sonhos de infância, se tenham perdido por ai, nas esquinas da vida. Mesmo que os planos mirabolantes de adolescência, tenham ficado congelados lá atrás, algures. Mesmo que estejamos interiormente alterados, e lutemos diariamente para não assumir essa condição.

Bom sábado!  

Palavra do Instagram aos Egípcios

Li esta frase algures no universo do Instagram. Pronto, não era bem assim, mas o sentido era o mesmo e deixou-me a pensar. Como também já ouvi dizer em tempos, que não publicavam fotografias com o namorado, para que ninguém estragasse o namoro, fiquei balançado nas justificações. Será que a primeira é saudável e a segunda impede alguma coisa? Ou têm ambas o mesmo fim? Será que alguma tem cabimento? Ou devemos publicar (e partilhar) apenas aquilo que nos faz feliz e cagar para aquilo que os outros pensam? 

Cinema e Pipocas: Éden


E para o primeiro "Cinema e Pipocas", Éden, uma curta metragem portuguesa para uma sexta-feira de quarentena [e é só carregar no "Vê mais aqui >>"]. 

Sentimentos para hoje: Ingratidão


Se há coisa pior do que não agradecer, é ser ingrato. É achar que temos a obrigação de ter um determinado comportamento ou acção, e que não fazemos mais do que é o esperado. Talvez eu, na minha superioridade moral, seja demasiado exigente com os outros, mas não sei gerir isto de outra forma. Quando me dou, dou, e atiro-me de cabeça sem pensar. E faço-o nos namoros, nas amizades e na família, porque na minha perspectiva pessoal, só assim faz sentido. Só assim é que acredito que os relacionamentos podem crescer e evoluir de forma saudável. 

É claro, que não espero nada em troca dos outros, nem faço as coisas só para me sentir bem ou para a fotografia, mas nunca irei estar preparado para aquela "coisinha" da indiferença, ou do "ok, obrigado" e virar a cara com ar de frete. Não. Isso mata-me por dentro. Isso faz-me crer um bocadinho menos nas pessoas, sendo que depois quem perde, são os outros. São aqueles que não têm nada com o assunto ou culpa no cartório. É triste revelarmos preocupação pelos outros, e depois nem uma resposta temos direito. Não quer isto dizer, que não o tenha feito no passado, até porque nem estamos bem, nem estamos disponíveis ou felizes para interagir, mas caramba, quando a coisa é feita de uma forma recorrente, isso magoa. Isso deixa marcas.

Eu sei que não sou o melhor amigo do mundo, e prova disso mesmo, é o facto de um dos meus melhores amigos ter morrido no final do ano passado, e de eu ter adiado diversos encontros desde julho até dezembro, porque tinha sempre muito tempo para isso, e com isso, perdi a oportunidade de estar com ele. Mas bolas, não é por isso que me sinto melhor. Do estilo: é uma paga do universo, porque eu também falho. Porque eu também sou ingrato, por vezes. Não sei. Não sei se tudo isto é justificação suficiente para ser ferido pelas pessoas que mais próximas estão de mim, ou se isso é argumentário eficaz para diminuir o drama, que faço sobre as coisas. A única coisa que sei, é que cada vez mais, tenho menos vontade de fazer o que quer que seja.

Homenagem: Filipe Duarte


E morre, aos 46 anos, o actor Filipe Duarte. 

Lembro-me bem, de algumas produções em que participou, onde destaco a série televisiva "Equador". A verdade, é que dentro do contexto actual, em que vivemos diariamente com dezenas de mortes por causa do COVID-19, este desaparecimento poderia ter passado despercebido. Mas não passa. Não passou. Até porque não era um anónimo (o que lhe garante visibilidade), era relativamente novo (só tem mais sete anos do que eu) e a causa da morte foi um enfarte do miocárdio (que nós sempre associamos a pessoas mais velhas).  Além disso, era um actor que gostava de ver representar - e isso é, de facto, uma arte. 


Esteja agora onde estiver, que descanse em paz.

very first one

Somos várias coisas. Várias vidas. Várias personalidades e personagens. Vários bloggers e vários blogues. Vários registos e pedaços testemunhais da história, que nos impelem a ser diferentes. A mudar. A voltar. A avançar e a fugir. A centrar naquilo que somos, ou naquilo que queríamos ser. Não sei se seremos todos assim, ou se apenas eu nasci fadado desta maneira. Podia culpar o meu signo (gémeos), ou meu percurso de vida, mas a verdade é que já estou cansado do queixume e quero ser uma pessoa melhor. Ter algo diferente. Ser algo diferente. Com mais amor-próprio e mais auto-estima - aliás, este foi um dos meus propósitos para este ano.

Há pessoas que já me "conhecem" e outros que me conhecem de facto. Quem esteve atento nos últimos anos a um determinado blogue (que entretanto acabou), reconhecerá a escrita, os dramas, as dúvidas, as parvoíces, mas acima de tudo, a "pseudo" moralidade, que muitos dizem que tenho, e que estou a tentar mudar. Para este percurso, escolhi uma nova pele. Uma nova ficção, a quem empresto os meus sentimentos verdadeiros e a minha realidade. Escolhi ser um lobo. Solitário, como sempre fui e serei. Fora de uma alcateia que nunca me fez sentir parte integrante da mesma. Que sempre fez questão de sublinhar a minha diferença.