Diferenças




Quando me dizem que não há racismo em Portugal, eu olho de imediato para a pessoa. Na maioria dos casos são homens “brancos”, mas também observo algumas mulheres “brancas”. Em comum, têm a sua questão caucasiana em evidência, porque são “portugueses de gema”. Deste universo, se perguntarmos se há machismo em Portugal, também a maioria dirá que não, embora se note que essa globalidade é composta quase em exclusivo por homens “brancos”. E se aos “sobrantes”, perguntarmos se existe homofobia em Portugal, a resposta será também ela negativa, sendo o universo desta vez composto maioritariamente por homens “brancos” heterossexuais – e com “sorte” a resposta ainda terá acoplada com um comentário-tipo “a mim não faz diferença, desde que não se metam comigo” ou “cada um leva onde quiser”.

Sendo eu um homem “branco” (sou mais amarelo, mas pronto), tenho alguma dificuldade em dizer que não há racismo em Portugal, porque ninguém me discriminou pela minha “cor”. Também acho complicado dizer, que não há machismo por cá, porque nunca fui preterido em nada por ser mulher. Agora, se me perguntarem se há homofobia em Portugal, não tenho a menor dúvida que há. Pode ser não numa escala absolutamente aterradora, mas ela existe. Ela está cá, às vezes em pequenas doses, que passam dissimuladas, mas está. Recordo-me perfeitamente, de uma vez que fui a uma consulta, sentir uma mudança de postura no médico, quando a meio da conversa revelei que era gay (porque ele perguntou, e não, ele não me estava a tocar, nem eu estava em roupa interior, nem sequer havia interesse no que quer que fosse, a não ser clínico). Senti um distanciamento abrupto, um olhar estranho e uma “tirada” sobre “vossa comunidade”. A “minha comunidade”. Não sabia que fazia parte de uma “comunidade” até então, e tudo por causa de uma orientação sexual.

Portanto, é fácil dizermos que “não há”, quando não estamos dentro dos grupos-alvo da discriminação. Como em tudo, temos que saber calçar os sapatos dos outros, sentir as dores dos outros, para tentar perceber as coisas. Para perceber o mundo. Porque não é razoável alguém perder a vida porque é diferente, ou porque não se sabe ver além do óbvio. *



*E tudo "isto", por causa da revolta da população no Minesota (Estados Unidos da América), considerando o sufocamento de uma pessoa no passeio, pela polícia.  

Redes Sociais





Falando ainda de redes sociais, confesso que ando um pouco farto das ditas. Não tenho o mesmo prazer que tinha outrora e tudo parece um pouco artificial. No Facebook, por exemplo, apenas vejo notícias, dou os parabéns às pessoas desejando-lhes um feliz aniversário (é uma óptima ferramenta para isso), e de grosso modo, apenas partilho publicações para desmascarar o André Ventura ou para denunciar alguma coisa. Acho que não utilizo para mais nada de destaque. Nem sequer o Messenger utilizo, como utilizei em tempos.

No Instagram (que adorava), vejo imensas partilhas de coisas que me parecem tão “fakes” que até dói.  A interacção diminui de dia para dia, e o que interessa agora é só “likes”, “seguidores”, “OnlyFans” e “ganhar dinheiro seja de que forma for”. Sei lá, perdeu-se a essência daquilo, não se responde a ninguém, parecendo tudo muito oco e fantasmagórico. Aderi a esta rede social em 2011, de lá para cá, tive imensas contas. Hoje tenho apenas uma de cariz pessoal com as pessoas que quero efectivamente seguir, que gosto, que maioritariamente interagem comigo (se assim quisermos, claro está), onde posso perguntar “coisas simples”, como “gostaste desse restaurante” ou “o que recomendas ver nessa cidade?”. Também consigo imprimir alguma normalidade, até mesmo sobre pessoas que não conheço de lado nenhum. Faço elogios, e escrevo sem pudor “estás bonito” ou “adoro a tua camisola”, se me apetecer - e se achar isso mesmo. No fundo, somos animais sociais e esta ferramenta permitia isso mesmo, socializar, criar ligações sobre aquilo que temos em comum e assentir, ou discordar, naquilo que nos afasta.  

Ok, não vou ser cínico. Também sigo ainda algumas contas bastante vazias de conteúdo, onde apenas me deslumbro com as cores das fotografias ou com os corpos mais ou menos trabalhados. Também preciso de alguma dose de futilidade. Faz parte de mim também esse lado mais “desprendido” da vida. Mas caramba, se esta realidade começar a ser 100%, onde tudo tem um “custo”, uma contrapartida ou uma má vontade, é meio caminho andado para deixar de vez este "mundo". Aliás, já não publico nada desde Abril e a vontade de o fazer continua a ser zero (pronto, tenho feito “stories”, mas até essas são cada vez menos e efémeras). Vou partilhar o quê? Algo que não sou, só para agradar aos outros? Para ter milhares de seguidores, que nem sequer sabem que eu existo? Ou para me gladiar por coisas, que nunca fizeram sentido para mim? Li há pouco tempo, um texto sobre isso mesmo. Sobre o facto do Instagram estar a fazer com que fiquemos mais deprimidos, mais desligados do mundo real, que nos faça questionar o que somos (ao concluirmos que somos uma “merda”) ou que nos faça fazer coisas que não queremos – com o objectivo primordial de obter a aprovação dos outros, como se isso fosse fundamental para sermos o que somos.

Only Fans



Mas o que se passa com todos os gajos do mundo (quase todos, vá!), que agora viraram “porn star de 5€”, no Onlyfans?


Uma necessidade extrema de ganhar dinheiro sem ter que trabalhar muito?*


*Ia escrever “suar muito”, mas depois lembrei-me que há muitos que devem suar (e não deve ser pouco).

Passados [muito recentes]



A última vez que estive no “T”*, só fiz figuras tristes. Dancei, entornei uma bebida em cima de um rapaz, fiquei alguns minutos abandonado na pista e outras tantas coisas que não vale a pena mencionar aqui. É o que dá beber, quando estamos demasiado felizes. É o que dá perder os filtros, quando nos sentimos demasiado à vontade. É o que dá ser “tótó”, quando ganhamos coragem para dizer o que não queremos. Aliás, há quem diga que as palavras que soltamos, "bêbados", é o que queremos afirmar quando estamos sóbrios, mas não conseguimos verbalizar.  


Abençoada quarentena que me atirou para casa faz 3 meses, e me permitiu recuperar o meu ligeiro problema de alcoolismo (LOL), bem como alguma da minha reputação (que é quase nula). Estou aqui a torcer para que quem viu, se tenha esquecido do assunto, embora tenha a consciência plena, que os meus amigos se recordam de tudo. Volta e meia, sai uma “boca” sobre isso. Ó sorte macaca.


* é claro que estou a falar do Trumps! 

Apresentando: Gustavo Martins


Sou só eu que acho um piadão, a este menino? 


A sorte dele é chamar-se Gustavo Martins, e não Gustavo de Metelo*.


E para nossa sorte (e do mundo em geral, vá), há centenas de fotografias do mesmo género no Instagram dele, que podem seguir aqui!


*ler esta parte sublinhada muito depressa e em voz alta.  

Televisão: White Lines



Comecei a acompanhar esta semana, a nova série da Netflix denominada "White Lines", onde aparece em grande destaque, o actor português Nuno Lopes. Para já estou a gostar - não tanto como a Elite ou o Toy Boy - e estou na expectativa para saber quem matou quem. Se isto fosse o Cluedo, arriscava dizer que foi a Miss Scarlett, com a barra de ferro, no jardim, mas como não é, tenho que chegar ao último episódio para ficar a saber. E como o enredo se passa em Ibiza, e como Ibiza me traz boas recordações, estou a tentar prolongar ao máximo este pequeno prazer (só são 10 episódios). 

Além do Nuno, que interpreta a personagem "Boxer" (e com muita pena minha, ainda não se despiu), aparecem mais dois actores portugueses. Um deles, o jeitoso do Paulo Pires, mostra quase tudo, e aos 51 anos exibe um rabiosque bem interessante (e que está em evidência no topo desta publicação). Ai, tomara eu chegar àquela idade, com metade daquele fisico. *snif snif snif* 

Efemeridades atrasadas




Ontem foi um dia muito importante. Comemorou-se o Dia Internacional Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia e este “berloque” fez um mês. Não estou a igualar as duas efemeridades, até porque não faz nenhum sentido essa comparação, apenas estou a dizer que foi uma coincidência feliz.  A verdade, é que nunca pensei assinalar estas datas posteriormente, e até tinha planos para fazer uma coisa catita, mas a preguiça em ligar o computador foi maior.

E não, não andei no passeio, não fui à praia e nem sequer estive de papo para o ar. Acordei tarde, tomei banho, almocei com a "famelga" e estive a tarde toda em limpezas - e a deprimir por causa do tempo. Vi muita gente a comemorar o Dia Internacional Contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia nas redes sociais, e além disso, fiquei a saber que no bê-bê-vinte-vinte ficou o concorrente aparentemente homofóbico e saiu o concorrente gay – o que não deixa de ser irónico.

Amigxs, o ódio a tudo o que seja diferente, ou que não se percebe, infelizmente, encontra-se intrinsecamente ligado à condição humana. As pessoas gostam muito de catalogar pessoas, quanto mais não seja para demonstrar a sua pseudo-moralidade (onde é que eu já ouvi isto?), ou que são “melhores” que os outros, em determinados contextos e situações - com o objectivo de não se tornarem ele num foco mediático. Infelizmente também, a luta por mudar mentalidades fará sempre parte da nossa realidade, pelo menos enquanto existirem seres humanos. Não se esqueçam que a escravatura já foi permitida (ainda o é, nalguns sítios), que as mulheres eram (ou ainda são?) catalogadas como seres inferiores e que a homossexualidade foi considerada doença pela Organização Mundial da Saúde até 1990 (and so on, and so on...)! Mas está tudo mal? Não. Mas está tudo resolvido? Não. Mas hoje está melhor que ontem, e compete a cada um de nós (sem nunca deixar de ser quem é) mudar algo, para que o amanhã seja melhor que hoje, e assim, ir construindo um mundo melhor para quem vier a seguir.   

Publicidade: A uma coisa qualquer




Querer dar uma trancada ao senhor que está a vender um cadeirão de massagens, através de um anúncio, enquanto decorre um intervalo na TVI24, é sinal de falta de alguma coisa, não é?


Maldita quarentena.  

Televisão: bê-bê-vinte-vinte



Não vejo o novo Big Brother da TVI, denominado bê-bê-vinte-vinte. Não vejo, porque acho que é um formato que não faz sentido (para mim bastou o primeiro, o segundo e as versões “VIP”), porque estou farto deste tipo de reality show (para ver pessoas fechadas numa casa, já basta a minha vida) e porque odeio o Cláudio Ramos (não consigo mudar o sentimento, desculpem). E a ordem dos motivos, é aquela que preferirem – podem escalonar os factores da maneira que quiserem, porque para mim estão todos ao mesmo nível.

Bom, já disse que não vejo o novo Big Brother da TVI? É pah, não vejo, mas é como se visse, porque a quantidade de pessoas que inundam o meu feed de notícias das diversas redes sociais, faz-me transportar para aquele universo. Mesmo que vá arrastado. Sei que há um Hélder (que até é engraçado) mas que é homofóbico, e que estão todos revoltados. Revoltados com o rapaz que é homofóbico, mas não com o Cláudio Ramos que disse o que disse sobre os gays? Que era contra o casamento das pessoas do mesmo sexo, e não sei o quê, e depois lançou uma linha de alianças de compromisso? É pah, poupem-me! E se não queriam polémicas destas, não tivessem colocado no programa gays, bissexuais e “ligeiramente homofóbicos”.


O que vale é que eu nem assisto a este programa. É o que vale.

Palavra do Instagram à Ressabiada



Há pessoas que consideram tudo uma obrigação.Exigem uma reciprocidade tacanha, que não faz sentido nenhum. Nós se gostamos, é porque gostamos. Se não gostamos, então é porque algo não nos diz nada. E não tem de dizer. Nem tudo tem de dizer. Isto é, se quisermos sinceridade nas nossas partilhas. Ou isso é tudo treta, e gostamos mesmo é da mentira piedosa para nos alimentar o ego?

Eu gosto de interagir. Sempre gostei. Talvez esteja no meu ADN. Talvez porque o meu signo "zodiacal" seja gémeos. Talvez porque seja parvo. Não sei. Sei que gosto de reagir, quando me apetece (e quando acho que faz sentido), e é óbvio que gosto de uma resposta. Seja ela qual for. Acho que é o mínimo que se exige, quando partilhamos algo de modo público. Mas isso não quer dizer que seja obrigatório, ou que vá chorar lágrimas de sangue quando não ocorre. Mas não vou partir para o insulto quando alguém não me segue nas redes sociais ou não coloca gostos nas minhas coisas. Isso "é só estúpido",

Sentimentos para hoje: Revolta




Muitas vezes as pessoas confundem preocupação e dedicação, com o facto de ter alguém “na mão”. Confundem presença, com disponibilidade imediata ou apenas quando lhes apetece (ou interessa). Muitas vezes, as pessoas acham que podem pôr e dispor dos outros, porque estão acima numa qualquer pirâmide social (que elas próprias criaram), e, portanto, existe uma qualquer obrigação. E isto também se replica no “universo gay”. Talvez com mais força. Talvez com mais intensidade e menos pudor. Porque há quem diga que homens há muitos. Mas a vida, meus amigos, não é só engate ou frivolidades tacanhas. Nem desaparecimentos de anos, que passam incólumes só porque alguém diz "olá, como estás, há quanto tempo".  

Os “gajos” consideram que quando um tipo se preocupa, que podem fazer o que quiserem com ele. Têm quase a certeza que deixar um homem em “lume brando”, para uma qualquer eventualidade futura, lhes garante sempre um plano de fuga certeiro, para quando qualquer coisa correr mal. Seja a nível sentimental, profissional ou social. Mas não é bem assim. Aliás, não é nada assim, porque se no mínimo dos mínimos, deixa crescer uma "desilusão’zinha" passageira, no máximo, cria uma indiferença tão profunda, que quem paga as “favas” são as outras pessoas que nada têm a ver com o assunto. Intervenientes que podiam fazer a diferença na vida de alguém, mas que passam totalmente despercebidos a quem devia estar desperto. É uma responsabilidade muito grande interagir com alguém. Podemos ser culpados de mudar uma pessoa (para pior). E para isso, já bastam as vezes que o fazemos de forma inconsciente.

Não devemos ter nada como garantido. E não devemos exigir nada (porque as coisas ou se dão desinteressadamente, ou não têm valor), mas também não devemos perpetuar a ingratidão. Não podemos ficar no limbo, ou junto de alguém que não nos considera o suficiente na sua vida, para a partilhar connosco. E escrevo isto, não num sentido estrito da relação amorosa “um-a-um”, mas num sentido lato da nossa rede de laços familiares e de amizade. Ninguém merece ser uma alternativa, ou actor secundário de uma peça realizada em cima do joelho. Há que ser ponderado em tudo. E nunca esquecer que não devemos confundir o bem-querer do outro, como um livre-trânsito para abusar de uma pessoa, ou pior, brincar com os seus valores ou diminuir a sua forma de pensar. De ser. De existir.   

Apresentando: Simone n Marcello

Vi a fotografia em destaque nesta "colagem" no Instagram, através da partilha de uma pessoa que sigo. Perguntei-lhe se os conhecia, e responderam-me que não. Então resolvi aferir por mim próprio, a sua origem e foi aí, que descobri o perfil do Simone. Além de ter um corpo do "caraças", evidenciado nas inúmeras partilhas no seu "feed", ele não se coíbe de mostrar o namorado, e eu acho-os fofinhos. Sou um romântico, que querem? Sempre fui assim e acho que vou morrer assim. Se quiserem, culpem os meus pais e os filmes da Disney, mas vou continuar a achar que o amor é possível. E como diz a canção: "o amor é assim, pelo menos para mim".   

A escolha do registo fotográfico em evidência, e que encabeça esta publicação, não é inocente. Não foi uma acção ingénua ou ao acaso. Não. Fi-lo, deliberadamente, porque vai permitir encaixar a minha teoria. E porque a mostrei a alguns amigos, e como não podia deixar de ser, alguns comentários foram no sentido que um é rico e outro é pobre (ou seja, haveria interesse). Ou há qualquer coisa ali que não bate certo, porque um liga muito ao físico e outro nada (e que os gays procuram sempre "semelhantes", fisicamente falando). Isto ou aquilo. Amor: pouco ou nada. Para já, o perfil do Simone não se encaixa nestas Palavras do Instagram, e logo aí, ganha uma dimensão gigante de "verdade" para mim. Isto quer dizer, que vejo ali, dois putos que gostam um do outro. Que gostam de estar um com outro e que são fofinhos juntos. E é só isso que interessa. Até porque no fim de tudo, o que todos gostaríamos era ter um relacionamento assim.


Para quem quiser seguir o Simone no Instagram, basta carregar AQUI. O Marcello tem a conta privada, pelo que não se partilha a mesma - e o motivo é só esse. 

Decisões

Se até 1 de junho, o sacrifício que estou a fazer de treinar em casa (que odeio), não der nenhum resultado, juro que me vou voltar para os agachamentos com chocolates. E para o levantamento de pesos com “bollycaos”. Palavra de guloso. Graças a Deus.


Nota: A fotografia não é da minha pessoa. Mas gostava. 

Sentimentos para hoje: Saudades




Estou a ouvir isto e a limpar a caixa de e-mails do blogue do tempo-da-outra-senhora. Ui, tanta coisa que escrevi. Tantos comentários que fiz e respondi. Tantas e tantas pessoas que me enviaram e-mails simpáticos, quando se sentiam correspondidas com o que escrevi. Tantas e tantas partilhas. Tantos assuntos. Tantas alegrias e tristezas. Tantas ideias e tantos desafios que participei, e que blogosfera participou comigo. Tantas pessoas que passaram pela minha vida e que deixaram de existir. Que desapareceram na espuma dos blogues já extintos. Tanta coisa que vivi que me deixou assim… saudosista de tempos que não voltam mais. Até mesmo do rapaz, a quem chamava o D. Juan dos Blogues (porque só se interessava por bloggers), que me bloqueou no Facebook sem motivo aparente. Talvez porque quisesse namorar comigo, sabendo ele que isso não era possível. Tantos e tantos motivos possíveis, mas que nunca saberei qual deles foi. Apenas sei, que é mais uma pessoa que ficará na história do meu antigo blogue. Ficará bem arrumadinho, junto de tudo aquilo que existiu. 

Hoje a “blogaysfera” está irreconhecível. Talvez sinónimo dos tempos que vivemos. Talvez porque dê algum trabalho ter um “blogue’zito” - mea culpa, mea culpa. Talvez porque as pessoas agora estejam viradas para outros mundos, que não este. Não sei. Apesar de me ter afastado alguns anos, senti necessidade de voltar. Com outras perspectivas do que quero. Com outra identidade. Com outra capacidade de ver as coisas. Com outras vontades de gerar empatias, em conhecidos e anónimos, e que me vejam com outros olhos. Que me ajudem a crescer (embora já vá quase nos quarenta) e a ser uma pessoa melhor. Talvez a “blogaysfera” consiga ressuscitar alguns projectos já existentes, ou criar outros novos, que juntos consigam garantir outras vidas, cheias de dinâmicas que cheguem a todo lado. Até às aldeias mais escondidas, cujo o único escape das pessoas era/é ler as parvoíces que publico(amos).   

Dramas




Percebes realmente quando chegou a primavera, quando gastas o teu “stock” de lenços de papel numa tarde. Bom, espirrar de minuto a minuto, também poderá ser um sinal. Ou a comichão no nariz e nos olhos. A outra tinha a “Maldita Cocaína”, eu tenho a “Maldita Sinusite e Renite alérgica”. Cada um nasce para o que nasce.  

Isto vai ser interessante, é quando estiver neste estado, e tiver que andar de máscara na cara. Ui. Vai ser um mimo. Mas também temos que ver o lado positivo da coisa: agora, mais do que nunca, tenho a oportunidade de ser “giro”.


Nota: A imagem da publicação, é meramente ilustrativa. Serve para dar fofice à “coisa”, porque estou para lá de possuído. E não no bom sentido.

Opinião: (des)ventura




Não queria dar mais palco ao André Ventura, porque para isso já basta a minha campanha contra o “dito” no meu perfil de Facebook, mas perante o chorrilho de asneiras que aquele cromo solta sem pudor, é impossível ficar sossegadito (e ter comentado esta publicação do Dezanove, deixou-me em broa - ou seja,  também não me ajudou a ficar zen). E logo eu, que em algumas situações tenho o “coração ao pé da boca”. Mas antes isso, que outra coisa. Adiante.

Ao contrário do que muitos dizem, “ele não diz o que toda a gente pensa, mas não tem coragem de dizer”, nem sequer “tem razão, pecando só pela forma como verbaliza”. Não. Não, caríssimos e caríssimas (agora como é moda escrever ou falar assim, nos dois géneros, eu acompanho), o André Ventura “apenas” é perigoso. E não tenhamos dúvidas, dentro dele (ou por trás, ou pela frente, não interessa) existe um Hitler’zinho a possuí-lo com toda a força, sem lubrificante. E o que temos a ver com isso? Muito. Tudo. Não podemos achar que prescindir da nossa liberdade (plena) em prol de umas parvoíces contra a comunidade cigana, nos coloca a salvo, porque são apenas “ciganos” e eles no fundo, no fundo, são desordeiros. Bom, como tudo na vida, e agora acredito que vão ficar chocados com esta revelação: há ciganos bons, há ciganos maus. Há pessoas com olhos azuis boas e outras más. Há de tudo um pouco na vida, e não é por se ter determinada condição, ou característica, que isso nos impele logo para a marginalidade (ou para a santidade).   

Não tenhamos ilusões (sendo que quem ainda as tem, ou é ingénuo, ou simplesmente tonto) sobre ao que vem o “Venturita”. Aliás, basta ver o programa eleitoral do seu partido neofascista, para se ter uma pequena ideia. Hoje os ciganos. Amanhã os gays. Os anões. Os deficientes. Os idosos. Todos aqueles que “eles” consideram que não têm lugar na sociedade, que “eles” imaginaram. “Ring a bell”? A humanidade já passou por esse filme, e parece-me que querer repetir uma sequela, é tão estúpido, mas tão estúpido, que nos mostra que não aprendemos nada. É pah, desculpem, mas não consigo de deixar ficar chocado com amigos meus (alguns gays) que me dizem que votaram no André Ventura. Não consigo ficar calado. Aí não me calo. Como é que alguém pode votar neste tipo? Como é que um gay pode votar contra a sua liberdade e autodeterminação? Como? Alguém me explica?

Portanto, estamos numa altura, que todos nós, os democratas (de esquerda e de direita), temos o dever de ser activistas. De demonstrar. De denunciar.  De lutar contra esta nuvem negra, que avança sobre a nossa liberdade, mascarada de “verdade”. Disfarçada de razão, mas cheia de clichés e preconceito.  Comecemos pelos “nossos”, pelos nossos círculos mais próximos, onde possamos demonstrar o erro, que é em caminhar na direcção que o Ventura tenta mostrar, dourando-a e escondendo os reais motivos. Isto não é sobre “ciganos”. Nunca o foi. É sobre uma tentativa de higienização da sociedade, em que aquilo que não é “normal” não tem direito a subsistir. A existir. A respirar.

Passados




Estava a falar com uma amiga minha, e estava-lhe a contar o meu procedimento para conhecer pessoas há 15 anos atrás. Sim, porque nessa altura, ainda andava tudo muito escondido, não tanto como em 1980, é certo, mas ainda assim, escondido. E como fazia?

Bom, atentem nos passos:

1. Entrava no mIRC e na sala #gay, ou #gaybetos, ou o que houvesse. “Via” algum "nick" que me interessasse, e metia conversa.

2. Se a conversa continuasse simpática, ou sentisse empatia pela pessoa, passava para o MSN. Aí, as conversas eram mais ou menos profundas, trocavam-se fotografias ou ligava-se a webcam. Se o interesse permanecesse em ambas as partes, tentava-se aprofundar o “conhecimento” e trocavam-se números de telemóvel.

3. Com a troca de números de telemóvel, a “coisa” sempre era mais séria. O contacto era mais frequente, mais expedito e mais eficaz. Já havia alguma cobrança do “não me respondeste”.

4. Se o passo anterior corresse bem, e a vontade ainda subsistisse (muitas vezes já tinha esmorecido, de um lado, ou de outro), combinava-se um encontro ao vivo. Era aí que nós avaliávamos o “conjunto”. Normalmente, marcava os meus encontros em sítios com algumas pessoas. Optava sempre (porque sou de Lisboa) pelos jardins da Gulbenkian, pelo Picoas Plaza, pelo Monumental, pelo Atrium Saldanha (ou Residence) ou ainda, algures no Chiado.  


Com o surgimento de sites como o Gaydar ou o Manhunt, o procedimento era, mais ou menos o mesmo, sendo que a parte visual era logo ali desmontada. A diferença, era mesmo a questão da conversa…  da picardia… da interacção. Embora o mIRC tivesse o grande problema de imaginarmos uma pessoa que não existia (e a desilusão ser certa), tinha a vantagem de conseguirmos falar (ou teclar) com alguém, sem a necessidade de correspondermos aos seus padrões físicos. Podíamos só “jogar conversa fora”, passar um bocado de tempo, ou sentir alguma normalidade em estar num local a falar, sem outra intenção… que não fosse falar (uma vez que não haviam bares/cafés de jeito, onde pudéssemos fazer isso de uma forma mais natural). Ahhhhh! E o mIRC tinha ainda outra mais valia: a questão do anonimato, garantida pelos "nicknames". E qual era o meu? A verdade, é que nesta fase tive alguns, mas isso ficará para outra partilha. 

Televisão: Hollywood




Vi ontem o primeiro episódio da série Hollywood, da Netflix (devia começar a ter algum patrocínio por isto) e fiquei com vontade de ver o segundo. E isso é bom? Não sei. É pelo menos promissor, porque significa que conseguiu cativar alguma da minha curiosidade (e para os “gémeos”, já se sabe o quão difícil é, que pessoas daquele signo prestem atenção nalguma coisa). Tem um núcleo gay (logo, ganhou pontos imediatos) e gajos giros (mais pontos). E tem o David Corenswet, que é a minha nova crush televisiva (que não sei se é do “sindicato” ou não, mas pelo menos lavo as vistas).

O enredo gira em torno da meca do entretenimento (Hollywood), no pós-segunda guerra mundial, onde “um grupo de ambiciosos aspirantes a actores e cineastas está disposto a quase tudo para singrar no mundo do espectáculo”. Basicamente, vamos acompanhar o percurso de algumas personagens e da sua capacidade em perseguir os seus sonhos. Além da questão da desigualdade social, da inserção no mercado de trabalho para os veteranos da guerra, são ainda retratados temas importantes, como aqueles ligados à questão da cor da pele ou da orientação sexual. E tudo isto regado com alguma nudez e sexo (estejam descansados que é para maiores de 16 anos).

Vamos ver se a minha opinião se altera (para melhor ou para pior) quando terminar de ver tudo. Entretanto podem assistir ao trailer aqui e acompanhar o “meu menino” aqui.

Dramas




Não gosto de usar máscara. Odeio usar máscara. Não consigo usar óculos-de-sol com a máscara na cara. Se puder não vou usar máscara. Não quero usar máscara. Enfim.

O que vale é que tenho ali uma máscara com o Mickey para usar. Yupi!

 #bipolaridades

Apresentando: Nick Adams




Sempre achei um piadão ao Nick (e suponho que o namorado dele também). Tem um corpão cheio de curvas e contracurvas, que cria problemas até aos condutores mais experientes (e eu nunca fui muito bom a estacionar de lado). Além disso, tem uns olhos… ui ui ui. Para quem gosta deles em tons claros, obviamente. E se mesmo assim, ainda estão a pensar “és tão fútil, pah!”, oiçam o rapaz a cantar. Que vozeirão. Só resta mesmo saber se é “ão” em tudo.


Digam lá coisas acabadas em “ão” que gostariam de saber, como por exemplo, “comilão”.


1,2,3, digam lá outra vez:




E enquanto estão a pensar no assunto, passem pelo Instagram do Nick. 

Vontades




Por vezes gostava de ser vlogger, ou youtuber, realizar vídeos fantásticos de viagens, com uma edição fantástica e uma música toda catita a condizer. Mas passados dois minutos (e dezasseis segundos), perco a vontade.

Sou tão preguiçoso, graças a Deus.

Quotidiano: Let's get physical, physical




Recomecei o ginásio em janeiro deste ano. Andava a portar-me tão bem, a fazer tudo (quase) direitinho, até que teve que chegar uma “bicha chinesa” para me dar cabo dos planos. Isto, quando andamos alinhadinhos e com o tino todo, há sempre alguma “bicha” que nos desencaminha e nos torna a vida num inferno. É o destino. É a vida. É a tentação. É o raio que parta os chineses por comerem tudo o que se mexe. Mais valia comerem-se uns aos outros. Eram muito mais felizes de certeza e não nos lixavam a vida. Mas parece que isto veio para ficar… portanto é aguentar senhores (e senhoras), é aguentar.

Ainda antes do fecho obrigatório dos ginásios (e academias), deixei de ir. Achei que não valia a pena o risco. E como há algum pessoal muito badalhoco nos balneários (pelo menos no sítio a que ia, havia), tive a certeza de que tomei a decisão certa. A verdade, é que já se passou um mês e meio e estou a ressacar por exercício físico. Também não estou a gostar muito de me ver ao espelho, e para quem tem quase quarenta, todos os cuidados são poucos. Portanto, agi. Peguei nos pesos de 10kg e 5kg que tenho, no TRX e lá me comecei a motivar para tentar minimizar os estragos. De segunda-feira da semana até hoje, fiz 4 treinos, incluindo duas corridas de 30 minutos na garagem (fiz 5 km em ambas).

O problema é que tenho pouco material em casa. Já tentei comprar mais coisas online, mas está tudo, pasmem-se, esgotado! Nomeadamente halteres… além de que aquilo que existe é demasiado caro (embora uma pessoa não vá regressar tão cedo a treinos indoor). Bom, pelos vistos anda tudo feliz (e contente) em casa a levantar pesos. Ao contrário dessas pessoas, “supê” motivadas, eu tento que me contentar com o que tenho. O que quer dizer que vou ter um corpo de verão para 2021. Com sorte, em 2022. E se não der cabo da porta do escritório por causa do TRX, já será uma sorte (ou dos joelhos, porque quando fui fazer aquele “exercício’zinho” de peito, tudo se soltou e bati com os ditos cujos no chão. Os joelhos, claro está).

E não me apontem o dedo, ok?. Um senhor de meia idade tem de se cuidar.